PALAVRA FORTE, PALAVRA FRACA

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A palavra forte e a palavra fraca

Ao começarmos a falar, já passamos por fases nas quais aprendemos primeiro a conhecer e a dominar o nosso corpo, e tudo era descoberta e alegria: brincamos com as mãos, os pés, tocamos as partes do corpo para ver com os dedos, sentir com a boca os objetos, cheirar, lamber, tocar.

Aprendemos pela experimentação. Portanto, quando um adulto dava um nome para algo, “pedra”, “flor”, “gato”, “banana”, “abraço”, “meu amor”, aquilo se ligava à nossa experiência deste algo, e fazia sentido.

Palavras são imagens sonoras de realidades.

Palavras fortes são imagens sonoras cujo vínculo com a realidade é verdadeiro.

O que faz uma palavra ser fraca, não ter força e se perder ao vento?

Óbvio! Quando a imagem que ela quer representar não tem vínculo com a realidade.

Então a força ou a fraqueza de uma palavra não depende de sua imagem sonora e sim de quem a usa e como a usa.

Instintivamente sabemos se uma palavra é forte ou fraca. Mas o intelecto desconectado do coração pode nos induzir a acreditar em falsidades, iludido pelas aparências.

Se mantivermos nossas experiências infantis vivas, saberemos distinguir a palavra forte, verdadeira, da palavra fraca, falsa.

Para sabermos a verdade, precisamos da inocência.

Inocência é o conhecimento adquirido pela experiência tornado puro pelo coração.

Ingenuidade é a falta de conhecimento, que leva a equívocos sobre a realidade, pois acredita em vez de saber. Assim, o ingênuo não distingue o falso do verdadeiro.

O inocente, sim, sabe, e opta pela Verdade, Beleza, Pureza e Luz.

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FIDELIDADE/TRAIÇÃO

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O mais importante num episódio de traição é saber a causa. Se o relacionamento está ruim, se está morrendo, é natural que a pessoa comece a olhar em volta e, caso apareça alguém, ela se sinta no direito de ir atrás.

No entanto, se a pessoa tem dificuldade de se entregar, de assumir responsabilidade pelo compromisso afetivo com um parceiro, e está sempre alerta olhando em volta para outras oportunidades, a traição é inerente ao modo de ser dessa pessoa, e ela vai trair sempre que houver oportunidade. Nesse caso há uma imaturidade afetiva emocional, e pessoas assim ou se percebem imaturas e trabalham para amadurecer, ou permanecerão sempre assim, parceiros incapazes de amar de verdade. Esse tipo de relacionamento não chega a aprofundar, fica na superfície. Não há amor de verdade. E quem quer um relacionamento sério, sem dúvida não vai querer um parceiro assim.

Há ainda os deslizes próprios das fragilidades humanas. A pessoa ama seu parceiro, mas pode cair numa tentação, o que também é humano. Nesses casos o parceiro faltante se arrepende e quer consertar a situação. Se o outro nem soube do ocorrido, ele vai procurar evitar que aconteça de novo, pois quer preservar o relacionamento.

O conceito de fidelidade na nossa civilização é próprio dela. Ser fiel é ter relações sexuais com uma pessoa somente? Ser fiel é não sonhar com outros parceiros? Ser fiel é desempenhar adequadamente seu papel de marido ou mulher? Em outras culturas, ter relações sexuais com vários parceiros sem se prender a um em particular é natural e não configura traição. Casais se formam, sim, por afinidade, e permanecem fieis um ao outro não por imposição social e sim por opção individual. Sabem que cultivar o relacionamento com um só parceiro possibilita um aprofundamento e um nível de confiança e prazer de outra forma, fugaz, impossível de atingir.

O conceito de fidelidade na nossa cultura advém de costumes políticos e de poder. As pessoas se casavam para juntar patrimônio, poder familiar, juntar reinos, hereditariedade genética e outros interesses que nada tinham a ver com relação amorosa. Por isso as certidões de casamento eram verdadeiros contratos de negócios, nos quais a partilha de bens se configurava (e ainda é assim!) como uma das principais cláusulas. As mulheres adotarem os sobrenomes dos maridos também segue esta linha. O tal nome de família precisava ser preservado na sucessão masculina. A mulher não podia trair o marido porque assim essa sucessão seria corrompida. O homem, bem, sempre pulou a cerca, produzindo filhos bastardos, e esses sofriam muito na sociedade patriarcal e machista de outrora. Hoje isso não configura mais um estigma.

O enorme número de divórcios atualmente, em que a grande maioria das crianças numa sala de aula vem de pais separados, um panorama radicalmente diferente de algumas décadas atrás, é um sintoma de que o casamento é uma instituição falida do jeito que está sendo praticado. As pessoas se casam sem estarem preparadas para assumir um compromisso desse porte. A traição nesse contexto é quase que inevitável.

Hoje um relacionamento não se sustém mais somente pela instituição. Estamos numa época em que escolhas livres e compromissos assumidos conscientemente precisam ser desenvolvidos. Isso não quer dizer que a fidelidade é coisa do passado, e sim que a fidelidade hoje deveria ser considerada uma escolha consciente e não uma imposição vinda de fora.

Portanto, a cura de um “infiel” é o amadurecimento, para que ele se torne uma pessoa íntegra, honesta, adulta e capaz de assim assumir um compromisso.

Júlia Bárány

 

TOLOS ESPERTOS

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O SISTEMA EDUCACIONAL DOS ESTADOS UNIDOS ESTÁ PRODUZINDO UMA SOCIEDADE DE “TOLOS ESPERTOS”?

Um psicólogo eminente explica porque ele acredita que é assim e como reverter o curso

Por Claudia Wallis em 31 de maio, 2017

 

[(In Scientific American, 2017: https://www.scientificamerican.com/article/is-the-u-s-education-system-producing-a-society-of-ldquo-smart-fools-rdquo/?WT.mc_id=SA_FB_MB_NEWS, acessado em 05/06/2017)

Traduzido por Júlia Bárány]

 

Boston – No encontro anual acontecido na semana passada na Associação para a Ciência Psicológica (APS) em Boston, o psicólogo da Cornell University, Robert Sternberg soou o alarme sobre a influência dos testes estandardizados aplicados na sociedade americana. Sternberg, que tem estudado inteligência e os testes de inteligência por décadas, é bem conhecido por sua “teoria da inteligência triárquica”, que identifica três tipos de inteligentes: o tipo analítico refletido nos pontos de QI; inteligência prática, que é mais relevante para a solução de problemas da vida real; e criatividade. Sternberg ofereceu suas visões numa palestra associada ao recebimento de um Prêmio William James Fellow da APS por suas contribuições de vida inteira à psicologia. Ele explicou suas preocupações ao Scientific American.

[Segue uma transcrição editada da entrevista]

 

Em sua palestra, você disse que os testes de QI e os exames de ingresso na universidade (vestibulares) como SAT e ACT estão essencialmente selecionando e premiando “tolos espertos” – pessoas que possuem certo tipo de inteligência mas não o tipo que pode ajudar a nossa sociedade a progredir em face aos nossos maiores desafios. No que é que esses testes são falhos?

Testes como SAT, ACT, GRE – que eu chamo de testes alfabéticos – são medidas razoavelmente boas de tipos acadêmicos de conhecimento, mais inteligência geral e habilidades relacionadas. Têm alta correlação com testes de QI e preveem um monte de coisas na vida: desempenho acadêmico, salário, nível de emprego que você alcançará – mas são muito limitados. O que eu sugeri na minha palestra de hoje é que eles possam de fato estar nos machucando. A nossa ênfase excessiva em estreitas habilidades acadêmicas – aquelas que permitem obter notas altas na escola – podem ser ruins por várias razões. Acabamos tendo pessoas que são boas em fazer testes e lidar com celulares e computadores, e essas são habilidades boas, mas elas não dominam as habilidades das quais precisamos para tornar o mundo um lugar melhor para se viver.

 

Que evidência você vê desse dano?

O QI subiu 30 pontos no século XX, ao redor do mundo, e nos Estados Unidos o aumento continua. Essa subida é enorme; são dois desvios padrão, o que é equivalente à diferença entre um QI médio de 100 e um QI bem dotado de 130. Deveríamos estar contentes com isso mas a pergunta que eu faço é: Se você olhar para os problemas que temos no mundo atualmente – mudança climática, disparidades de renda nesse país que provavelmente rivalizam ou ultrapassam os problemas do progresso tecnológico (anos dourados), poluição, violência, uma situação política que muitos de nós jamais poderíamos ter imaginado – surge a pergunta, de que servem todos esses pontos QI? Por que não estão ajudando?

O que eu discuti é que a inteligência que não for modulada e moderada pela criatividade, bom senso e sabedoria não é tão positiva assim para se ter. Tal inteligência gera pessoas que são muito boas em se promover, muitas vezes à custa dos outros. Talvez não estejamos apenas selecionando as pessoas erradas, talvez estejamos desenvolvendo um conjunto incompleto de habilidades – e precisamos buscar algo que de fato tornará o mundo um lugar melhor.

 

Sabemos como cultivar sabedoria?

Sim, sabemos. Um monte de colegas meus e eu estudamos sabedoria. Sabedoria consiste em usar suas habilidades e seu conhecimento não só para seus próprios fins egoístas e para pessoas como você. Trata-se de usá-las para ajudar a alcançar um bem comum equilibrando seus próprios interesses com os das outras pessoas e com interesses de ordem superior por meio da infusão de valores éticos positivos.

Você sabe, é fácil imaginar pessoas espertas mas é realmente difícil imaginar pessoas sábias. Acho que uma razão é que não tentamos desenvolver sabedoria nas escolas. E não testamos sabedoria, portanto, não há incentivo para as escolas prestarem atenção a isso.

 

Podemos testar sabedoria e podemos ensiná-la?

Pode-se aprender sabedoria por meio de exemplos a serem seguidos. Pode-se começar a aprender isso na idade de seis ou sete anos. Mas se o aprendizado se baseia no que nossas escolas estão ensinando, que é como se preparar para os próximos testes de nível escolar, isso expulsa do currículo as coisas que costumavam ser essenciais. Observando os antigos McGuffey Readers (cartilhas), ensinava-se tanto bons valores e boa ética e boa cidadania quanto se ensinava a ler. Não se trata de ensinar o que fazer mas como raciocinar eticamente; passar por um problema ético e perguntar: Como chego à solução correta?

 

Eu nem sempre penso em juntar ética e raciocínio. O que você quer dizer com isso?

Basicamente, raciocínio ético envolve oito passos: perceber que há um problema a ser resolvido (digamos, você vê seu colega de quarto trapacear num trabalho de escola); identificar isso como um problema ético; perceber que é um problema grande o bastante para merecer sua atenção (não é o mesmo que passar do limite de velocidade em alguns quilômetros); perceber isso como relevante para você; pensar sobre que regras éticas são aplicáveis; pensar em como aplicá-las; pensar quais são as consequências de se agir eticamente – porque pessoas que agem de forma ética normalmente não são recompensadas; e, finalmente, agir. O que tenho argumentado é que o raciocínio ético é realmente difícil. A maioria das pessoas não consegue percorrer todos os oito passos.

 

Se o raciocínio ético é inerentemente difícil, existe realmente menos raciocínio ético e menos sabedoria atualmente do que no passado?

Temos um sujeito [representante eleito Greg Gianforte de Montana] quem alegadamente atacou um repórter e acabou de ser eleito para a Câmara dos deputados – e isso depois da média de 30 pontos de aumento no QI. Temos tido violência em campanhas eleitorais. Não apenas não encorajamos criatividade, bom senso e sabedoria, acho que muitos de nós nem mesmo os valorizam. Esses valores estão muito distantes do que está sendo ensinado nas escolas. Mesmo em muitas instituições religiosas temos visto surgirem muitos problemas éticos e legais. Se não se está aprendendo essas habilidades na escola ou por meio da religião ou dos pais, onde se os aprenderá? Acabamos tendo pessoas que veem o mundo como povoadas por seus iguais, um tipo de tribalismo.

 

Então onde é que você vê a possibilidade de reverter?

Se começarmos a elaborar testes para esses tipos mais amplos de habilidades, as escolas começarão a ensiná-las, porque elas ensinam para se passar no teste. Meus colegas e eu desenvolvemos avaliações de criatividade, bom senso e sabedoria. Fizemos isso junto com o Rainbow Project, que foi um tanto experimental quando eu estava em Yale. E depois em Tufts, quando eu era diretor de artes e ciências, começamos o Kaleidoscope, que tem sido usado com milhares de jovens a serem admitidos em Tufts. Ainda se usam. Mas é muito difícil fazer com que instituições mudem. Não é um conserto rápido. Uma vez que se tem um sistema no lugar, as pessoas que se beneficiam dele sobem ao topo e depois trabalham muito duro para manter isso.

 

Olhando para os tipos mais amplos de testes de admissão que você ajudou a implementar – como Kaleidoscope em Tufts, o Rainbow Project em Yale, ou Panorama no Oklahoma State, existe alguma evidência de que os jovens selecionados por ter essas habilidades mais amplas são diferentes de alguma maneira daqueles que conseguem notas altas no SAT?

Os jovens que acabaram de ser selecionados são diferentes. Acho que os encarregados da admissão diriam que sim, pelo menos no início. Nós admitimos jovens que não teriam entrado pelo sistema antigo – talvez eles não tivessem realmente as notas dos testes nem a tabulação. Quando falo sobre isso, dou exemplos, tais como quem escreveu realmente dissertações criativas.

 

Há qualquer follow-up longitudinal desses jovens?

Nós os acompanhamos no decorrer do primeiro ano de universidade. Com Rainbow dobramos a previsão [precisão] quando ao desempenho acadêmico, e com Kaleidoscope conseguimos prever a qualidade de desempenho extracurricular, o que o SAT não faz.

 

Você acha que a ênfase em medidas estreitas como SAT ou GRE está danificando os campos STEM especificamente?

Acho que sim. Acho que está danificando tudo. Temos cientistas que são muito bons incrementadores pró-ativos – são bons em dar o próximo passo mas não são as pessoas que mudam o campo. Não são redirecionadores ou reiniciadores, que recomeçam um campo. E são essas as pessoas das quais precisamos.

 

Você tem esperanças quanto à mudança?

Se pudéssemos convencer pelo menos algumas universidades e escolas a tentar seguir uma direção diferente, outros poderiam seguir. Se você começa a incentivar uma atitude criativa, a desafiar a multidão e desafiar o zeitgeist (espírito da época), e se você ensina as pessoas a pensar por si mesmas e que o que elas fazem afetam os outros, acho que é uma proposta que só pode ganhar. E essas coisas podem ser ensinadas e podem ser testadas.

CORES DO SER

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Era uma vez um pequeno planeta habitado por gente azul, amarela, verde e vermelha. Antes de chegar a esse planetinha, as pessoas eram de todas as cores com todas as infinitas variações de frequência. Nos portões de saída do céu elas eram convidadas a escolher por qual canal gostariam de deslizar para o planeta, e elas escolhiam entre o canal azul, amarelo, verde ou vermelho, chegando assim na frequência escolhida.

Nesse planetinha chamado Arret, as pessoas costumavam aterrissar num lar (às vezes em lar nenhum) com pais que os recebiam (ou não). Quando não eram desejadas, sua luz ficava diminuída e mal luziam sua cor. Se eram fortes e lembravam de sua missão, conseguiam fazer brilhar sua luz apesar das dificuldades. Se não, acabavam perdendo toda sua luz, entregando-se às trevas.

Por ter acabado de sair do céu, elas sabiam tudo sobre o lugar de onde vieram, tinham uma ampla visão de Arret lá de cima, como um minúsculo pontinho num maravilhoso, brilhante e infinito Cosmo. Elas tentavam contar aos pais sobre isso, mas a maior parte das vezes os pais apenas dispensavam rotulando de fantasia, ou pior, castigavam acusando as crianças de mentira. Pouco a pouco as crianças silenciavam sobre o que sabiam e acabavam esquecendo.

Na escola elas tinham que aprender justamente o contrário do que sabiam antes: que existiam apenas quatro cores, que não havia outro reino a não ser Arret, que tudo começava na matéria e terminava na morte. Mas por ter que se ajustar a esta vida – e parecia não haver outra saída – elas se conformavam. Suas vidas se tornavam ocas, desesperadas, doentes e infelizes, quase tudo ficava cinza, assim como para seus pais. Mas algo ficou cutucando o menino vermelho impedindo que ele se conformasse. O coração dele sabia, embora ele não lembrasse exatamente o quê.

Um dia uma fada entrou voando pela janela de seu quarto. O menino ficou muito assustado, porque temia ser castigado de novo por ver coisas que não existem. As asas da fada resplandeciam com as infinitas cores que de repente o menino lembrou ter visto antes. Essa imagem era puro deleite. Ele ficou tão feliz, mas tão feliz, que o cinza desapareceu todo de sua vida. Ele decidiu não contar a ninguém, a não ser que sentisse que o outro estivesse pronto para ver também. Mas toda essa alegria grandiosa ele não conseguia conter para si mesmo. O menino perguntou à fada o que ele deveria fazer. A fada lhe disse que ele deveria apenas deixar que suas cores brilhassem e amar as pessoas, na esperança que elas despertassem por estarem perto dele. Dali em diante o menino sempre manteve sua janela aberta, e de vez em quando a luminosa fada colorida o visitava. Com o passar do tempo, mais e mais pessoas abriam suas janelas e recebiam a visita da fada. Arret, o minúsculo pontinho no cosmo, começou a brilhar em diferentes cores e se expandiu, rompendo a teia escura que o envolvia. Um lindo arco-íris atravessou o universo, envolvendo Arret, começando no infinito e indo para o infinito. Havia esperança em Arret.

Júlia Bárány

EMPATIA

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A empatia é uma emoção que não é passiva. Nascemos com o potencial para a empatia, no entanto, não só precisamos aprender a ter empatia como também precisamos praticá-la ativamente para manter a habilidade de entender e apreciar as coisas a partir da perspectiva de outra pessoa. Empatia exige uma mente aberta, uma forte confiança social e envolvimento em conversas significativas.

Nesses tempos tumultuosos, é fácil atolar na indecisão, culpar, lamentar, ridicularizar e menosprezar maneiras de pensar que não estão alinhadas com a nossa. Quando medo e estresse abundam, há menos oportunidade para a confiança, a compaixão e a empatia. Isso conduz a um ciclo de conflito que causa sofrimento e paralisa a criatividade.

Um princípio essencial no nosso programa educacional, Worldview Explorations, é que a viagem de Eu para Nós é um processo transformativo, que necessita estarmos conscientes e ativos. A empatia é um modo de vida. Quanto mais conseguirmos entender, compartilhar e nos conectar com os outros, tanto menos “outros” eles se tornam. Quando mais nos vermos uns nos outros, tanto menos medo e conflito teremos.

Como é que fazemos isso? Eis três práticas de Worldview Explorations que você pode incorporar na sua vida diária:

– Cultive a auto-percepção

Pratique mindfulness colocando atenção e intenção nos seus pensamentos e suas ações

– Envolva-se no ouvir atento

Mantenha o coração aberto e ouça com consciência. Quando você coloca preconceitos e suposições de lado, você está livre para ouvir verdadeiramente o que está sendo expresso e comunicado.

– Pratique a curiosidade compassiva

Faça perguntas abertas que permitem mais discussão e compreensão. Perguntas abertas, assim como mente aberta, permite que a conversa flua e as ideias cresçam.

É essencial nutrir um profundo senso de empatia para aumentar a felicidade, a inovação e o bem estar geral.

De Mollie Robertson, traduzido por Júlia Bárány de http://noetic.org/blog/communications-team/me-we

AMOR, SEXO, SEU CÉREBRO E OS PSICOPATAS

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Artigo de Donna Andersen, traduzido por Júlia Bárány

(in http://www.lovefraud.com/2017/02/06/love-sex-your-brain-and-sociopaths-2/)

Desde o início da história registrada, os seres humanos tentam entender e explicar os mistérios do amor e do sexo. No decorrer das últimas décadas, cientistas passaram a usar equipamento especializado a fim de medir excitação física conectando aparelhos nas partes íntimas. Mais recentemente, eles observaram o órgão romântico mais importante do corpo humano – o cérebro.

Forbes escreveu sobre a pesquisa de Andreas, Bartels, Ph.D., no Imperial College de Londres. Bartels usou um exame de ressonância magnética que pode capturar imagens da atividade cerebral, para determinar as regiões do cérebro ativadas pelo amor.

Bartles realizou um estudo de 17 pessoas loucamente apaixonadas. Ele lhes mostrou fotos de amigos platônicos e outras de seus entes amados enquanto observava sua atividade cerebral. As imagens resultantes mostraram claramente que determinadas secções do cérebro são estimuladas pelo amor.

Em seguida o cientista realizou outro estudo para observar o cérebro de mães que cuidam de seus bebês. As imagens mostraram que exatamente as mesmas regiões do cérebro são estimuladas pelo amor materno, exceto uma região do hipotálamo na base do cérebro que parece estar vinculada com excitação sexual.

A conclusão, portanto, é que regiões específicas do cérebro se acendem com a perspectiva do amor.

Bartels também percebeu algo mais: Quando os sujeitos testados estavam apaixonados, determinadas regiões do cérebro se desligavam. Os escaneamentos mostraram que três áreas do cérebro geralmente associadas ao julgamento moral escurecem.

 

A química do amor

E temos ainda a química do amor. Helen Fisher, Ph.D., professora na Rutgers University, escreveu que três redes neuronais no cérebro, junto com seus neurotransmissores associados, são associadas ao amor. São elas:

– desejo: anseio por gratificação sexual, vinculado à testosterona tanto em homens quanto em mulheres

– atração romântica: euforia e a busca de união com o novo amor, vinculadas aos estimulantes naturais dopamina e norepinefrina, e atividade baixa da serotonina

– apego: a tranquila união emocional com um parceiro de longa data, vinculada à ocitocina e vasopressina

Fisher realizou também um estudo usando a tecnologia da ressonância magnética. Ela escaneou o cérebro de 40 homens e mulheres que estavam loucamente apaixonados. Quando estas pessoas olhavam as fotos de seus amados, os escans mostravam aumento de atividade nas regiões do cérebro que produzem dopamina. Esse neuroquímico é associado com sentimentos de excessiva energia, euforia, atenção focada e motivação para ganhar recompensas.

Dopamina, aliás, é também o neurotransmissor associado com vícios.

 

Efeitos da excitação

A pesquisa tem provado o que provavelmente todos nós experienciamos – a excitação sexual pode nos fazer jogar a cautela aos ventos.

Em outro estudo usando a tecnologia da ressonância magnética, Dr. Ken Maravilla da Universidade de Washington descobriu que a excitação sexual obscurece as partes do cérebro que controlam a inibição e, talvez, julgamento moral.

“Essas são as coisas que mantêm você alinhado, e na excitação precisam se tornar menos ativas, permitindo que você se excite,” disse Maravilla, conforme citação em Wired Magazine.

Num estudo chamado “O calor do momento: o efeito da excitação sexual no processo de tomada de decisões sexuais”, Dan Ariely, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e George Lowenstein, da Universidade de Carnegie Mellon, documentaram que estar excitado sexualmente afetava o julgamento de estudantes universitários. (bem…)

Especificamente, Ariely e Lowenstein descobriram que “o aumento de motivação para ter sexo produzido pela excitação sexual parece diminuir a relativa importância de outras considerações, tais como comportamento ético para com o parceiro sexual potencial ou proteger-se contra gravidez indesejada ou doenças sexualmente transmissíveis.”

Mas outra descoberta deles foi “as pessoas parecem ter uma percepção limitada do impacto da excitação sexual sobre seus julgamentos e sua conduta.” Em outras palavras, a maioria de nós não avalia quão fortes são os impulsos sexuais e como eles podem nos levar a fazer coisas que talvez não devessemos fazer.

 

Sedução psicopática

Então vamos olhar para toda essa informação no contexto dos nossos relacionamentos com psicopatas.

Duas das estratégias principais usadas pelos psicopatas para nos capturar são amor e sexo. Eles proclamam enfaticamente seu amor e nos seduzem conscientemente a terem sexo com eles. Então o que acontece?

– o amor acende regiões específicas do cérebro e ao mesmo tempo, obscurece regiões associadas com moral e julgamento

– as regiões do cérebro que produzem dopamina se ativam, e dopamina está relacionada com vício

– a excitação sexual obscurece as partes do cérebro responsáveis pela inibição e julgamento que poderiam nos impedir de fazer más escolhas

– não reconhecemos o impacto que os desejos sexuais exercem sobre o nosso julgamento e a nossa conduta

Dr. Helen Fischer escreve que os três sistemas cerebrais primários associados com amor evoluíram através dos tempos para desempenhar diferentes papeis no namoro, acasalamento, reprodução e geração de filhos. São as maneiras que a Natureza usa para garantir a sobrevivência da espécie humana.

Os psicopatas proclamam de forma convincente o seu amor duradouro e o seu desejo sexual por nós. Sem perceber o profundo engodo desses predadores, acreditamos que eles nos amam. Fazemos sexo com eles, e o sexo é magnífico. Muitos leitores de Lovefraud se mostraram pasmos com o apetite e o desempenho sexual dos psicopatas.

Portanto, os psicopatas sequestram o nosso cérebro por meio de nossos sentimentos de amor e dos vínculos do sexo. Nas suas seduções, eles voltam as funções psicológicas e químicas naturais dos nossos cérebros contra nós.

VOCATUS ATQUE NON VOCATUS DEUS ADERIT

= Chamado ou não, Deus estará presente

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Aniela Jaffe diz: “É a resposta do Oráculo de Delfos aos lacedemonianos quando eles planejavam uma guerra contra Atenas”. (1979: 136)

Numa carta de 19 de novembro, 1960, Jung explica a inscrição:

“Ora, você procura em vão em Delfos o enigmático oráculo Vocatus atque non vocatus deus aderit: este está gravado em pedra acima da porta de minha casa em Kusnacht próximo a Zurique e foi encontrado na coleção de Erasmus de Adagia (séc. XVI) [Jung havia adquirido um exemplar da edição de 1563 da Collectaneas adagiorum de Erasmus, uma compilação de provérbios de autores clássicos, quando ele tinha 19 anos de idade.] É um oráculo de Delfos, entretanto. Quer dizer: sim, o deus estará presente, mas em que forma e para qual propósito? Eu coloquei a inscrição ali para lembrar meus pacientes e a mim mesmo: Timor dei initium sapiente [“O temor do Senhor é o início da sabedoria.”] Aqui começa uma estrada não menos importante, não a abordagem ao “Cristianismo” mas ao próprio Deus e isso parece ser a derradeira questão.” (1975:611)

 

Referências

Jasse, A. (1979) C. G. Jung: Word and Image, Princeton, NJ: Princeton University Press

Jung, C. G. (1975) Letters: 1951-1961, ed. G. Adler, A. Jaffe, and R. F. C. Hull, Princeton, NJ: Princeton University Press, vol.2

Visto em http://www.jungnewyork.com/photo_vocatus.shtml

casamento: a iniciação atual

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Elaboro este tema há muitos e muitos anos, e por coincidência, mas não por acaso, o primeiro livro que publicamos na Mercuryo foi She de Robert Johnson, seguido de He e de We, completando a trilogia. E foi um sucesso, pois trouxe, naqueles idos, a psicologia Junguiana para o entendimento do leigo. Parece que abrimos caminho para a vasta publicação de livros de auto-ajuda baseados em psicologia.
Relacionamentos e principalmente os relacionamentos afetivos/amorosos se apresentam como desafios cada vez mais intensos e difíceis nos dias de hoje e é lá que mais necessitamos ser nós mesmos e, ao mesmo tempo, desenvolver a capacidade de olhar para o outro, conviver com o outro, respeitar e amar.
Os casamentos não se sustentam tanto mais pela lei, pelas regras sociais, pelo aspecto financeiro, pela religião, pela família, nem mesmo pelos filhos. Essas constrições externas estão frouxas. Não há mais papeis definidos nem responsabilidades estanques e destacadas para cada um, caça e casa.
Então o que sustenta, alimenta e faz crescer um relacionamento amoroso são as forças morais de cada um.
Pois um princípio não muda com o tempo e lugar, e este é a sinergia dos dois gêneros, a conjugação que faz nascer o terceiro elemento.
Todo ato criativo precisa dos dois gêneros, seja dentro de uma pessoa ou entre duas. Isso é básico, mas não custa relembrar.
É básica também a diferença física e psicológica/emocional entre os gêneros, o que torna fecunda a visão de mundo resultante.
E o que é realmente o amor?
O imenso desafio de nosso tempo. Para conseguirmos sair do ferrenho egoísmo e olhar para o outro em toda a sua beleza e feiura.
Sair da dependência, sem precisar gritar independência, e alcançar a interdependência. Sozinhos não construímos nada, juntos, sim, construímos o mundo. Dois inteiros juntos.
Uma vez uma amiga minha, biógrafa, soltou essa frase, e ela ressoa em mim nesses anos todos: casamento é a iniciação moderna.
É tão mais fácil arrumar um cachorro/cachorra, que não reclama, está sempre abanando o rabo quando você chega, não guarda rancores, não tem TPM, obedece (nem sempre…). É fácil namorar pela internet, não precisa enfrentar timidez, rubores, sem jeitos. E assim, nossos sentidos, nossos corpos vão atrofiando, e isso é até bom, porque atrofiado não perturba. Morremos por dentro e nem percebemos.
Quando voltarmos inteiramente, como humanidade, para os nossos corpos, voltaremos para a Terra e então cuidaremos dela para que seja saudável e fecunda. Para todos.
O amor incondicional é algo muito distante de nós como humanidade, mas floresce aqui e ali, sem alardes, sem fanfarra. E brilha como o astro mais luminoso que existe.
Todos instintivamente querem ficar perto de um astro assim. Aquece, ilumina, traz o divino próximo a nós. Exala perfume. Mesmo quando não sabemos ao certo o que é que emana daquela pessoa.
O mesmo acontece ao contrário. Um ser opaco, escuro, entupido de egoísmo, que não enxerga os outros, mas até pode se disfarçar de gente, repele, parece que há uma nuvem carregada de mal ao seu redor. Tem mau cheiro. Repele, e não sabemos ao certo o que é que emana daquela pessoa.
O amor incondicional não é relevar o que há de mau e errado naquela pessoa, e sim, enxergar a sua centelha divina. Enxergar além. É amar apesar de todos os seus ditos defeitos. Amar significa, entre outras, dar ao outro o que este realmente precisa. Pode ser uma reprimenda para corrigir o filho, evitando assim futuros sofrimentos maiores. Pode ser encarcerar um criminoso que não sabe agir de outro modo a não ser destruindo os outros. O amor verdadeiro precisa proteger tanto este quanto os outros.
Há grupos de apoio a drogadictos que querem se curar chamados Amor Exigente. A exigência é assumir o compromisso do processo de cura. Sem esta exigência não seria amor porque não levaria à cura.
Um tempo atrás criei um projeto chamado Amor Encantado.
A grande maioria confunde o verdadeiro amor, incondicional, com abnegação. No verdadeiro amor, não nos abnegamos de nada. Não é nos diminuindo que vamos construir o relacionamento, qualquer que seja, e sim nos tornando íntegros.
Outro equívoco comum é a conjugação de carências. Achamos que o outro vai resolver nossos buracos, e nos penduramos nele. E vice-versa. Essa construção está fadada ao fracasso, cedo ou tarde. Faltam alicerces.
Dever não é obrigação. Quando queremos fazer algo porque o consideramos bom, necessário e verdadeiro, não temos que nos forçar. O reconhecimento do bom, belo e verdadeiro nos norteia para a ação, mesmo se for penosa. O resultado é o prazer do dever cumprido.
Como é difícil e ao mesmo tempo fascinante a dança que precisamos aprender para construir relacionamentos verdadeiros, sem dependências nem carências. Estar juntos e ao mesmo tempo sozinhos. Ter espaço próprio e ao mesmo tempo comum. Compartilhar tarefas do dia a dia. Agradar o outro pelo prazer que isso lhe proporciona e assim a nós mesmos.
Como somos aprendizes, precisamos aprender uns com os outros a arte de amar.
Júlia Bárány